segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Tecnologia vs Ser Humano (comentário ao artigo da Pública)

De que modo é que as novas tecnologias interagem com o Ser Humano, a ponto de contribuírem para o desenvolvimento de um novo estádio civilizacional do mesmo?



O ritmo alucinante da vida contemporânea faz com que sejamos, constantemente, bombardeados por quantidades de informação em dose industrial, tornando-se complicado conseguir discernir o essencial do acessório. Todos sabemos ser impossível processar a totalidade de informação que nos rodeia, sendo necessário fazer uma selecção adequada da mesma, filtrando-a de acordo com os critérios de cada um. Porém, é também sabido que o ser humano comum apenas utiliza uma pequena percentagem do seu cérebro, tendo em conta toda a capacidade cognitiva que se encontra latente na sua caixa craniana. Existem determinadas partes do cérebro que se encontram adormecidas, aguardando por um estímulo eficaz que as faça despertar da dormência.



Ora, as gerações que viveram no início do século passado nunca se viram forçadas a assimilar tanta informação em simultaneo. Posto isto, é natural que, cada vez mais, saibamos lidar com vários estímulos exteriores sincronizados, cortesia de uma longa exposição tecnológica.Vejamos a grande capacidade de informação visual que a televisão ou a internet nos proporcionam, sendo, ainda assim, possível ler um tradicional jornal em simultâneo. Quem não o faz hoje em dia? Estaremos melhor preparados para uma realização, eficaz, de multitasking em relação aos nossos avós? Sem dúvida! Como animais que somos, também nós nos vamos adaptando ao meio consoante a necessidade. Selecção natural, como diria Darwin? Certo é que existem partes do cérebro, outrora adormecidas,que estão a ser sobre-estimuladas. Naturalmente que isto terá os seus efeitos na nossa capacidade cognitiva...



Peguemos no exemplo das crianças hiperactivas,as quais demonstram sérias dificuldades em se conseguir concentrar, ou seja, padecem de uma espécie de défice de atenção. Pensemos agora na resposta que , regra geral, a sociedade apresenta para combater este tipo de comportamento - já que o considera bastante problemático: "dopar" os rebentos com Ritalin, de forma a controlá-los. Segundo um artigo da revista Pública, que conseguiu reunir alguns dos vários estudos que se têm feito nesta área - a nível nacional e internacional -, este milagroso medicamento é um «fármaco da família das anfetaminas" utilizado para medicar «o que agora se chama por cá Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção».



Estarão os pais predispostos a tentar compreender a natureza de seus filhos? No referido artigo é citada uma especialista que, a propósito desta questão, afirma:



«Existem competências que estão a ser hiperestimuladas e não podemos esperar que sejam as outras que triunfem. Seria quase como se estivéssemos a trabalhar a musculatura das pernas para desenvolver os braços.(...) Muitos destes miúdos (...) serão tendencialmente mais receptivos a tudo o que os rodeia do que nós fomos, podendo estar assim mais aptos a lidar com a enorme quantidade de mensagens que inundam o quotidiano. Têm também (...) uma enorme coordenação visual-motora, como o demonstra a sua perícia em instrumentos quase impraticáveis para os adultos, como são os game boy".



Para uma nova era, novas capacidades, veja-se o caso das crianças indigo e cristal, dotadas de uma sensibilidade mais refinada, segundo defendem alguns teóricos. O que é certo é que: as gerações mais novas são bastante mais sensíveis ao pulsar multinformativo, do que os seus pais alguma vez foram. São seres diferentes, com capacidades diferentes, neste "novo mundo" em que, cada vez mais, assistimos a uma mutação permanente.

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