terça-feira, 20 de outubro de 2009

Power Point Is Evil - a "euforia multimédia"

Olá a todos,

voltamos à problemática exposta nos posts anteriores: a forma como as ferramentas tecnológicas nos condicionam. Mas será tudo assim tão linear? Note-se que vivemos na era da imagem, na qual o ser humano tende a sobrevalorizar a forma em detrimento do conteúdo. Como é tudo tão imediato o primeiro impacto passou a ser mais tido em conta e,neste sentido, não há nada melhor do que um bom layout para impressionar os incautos. É óbvio que este é um cenário assustador, mas demasiado realista. Porém não diabolizemos as ferramentas tecnológicas: criadas pelo Homem para servir o Homem. Ao fazê-lo estamos a desresponsabilizar-nos para com o tipo de utilização que fazemos das mesmas.


Neste âmbito, Edward Tufte revela-se como sendo um crítico fanático, na medida em que faz uma analogia entre os "bullets" ,que são utilizados em tópicos da ferrramenta power point, com os "bullets" bélicos de um regime opressivo como o de Estaline. Enquanto trocadilho linguístico devemos confessar que até tem uma certa piada, enquanto crítica cai forçosamente no exagero. O mesmo autor ,no artigo que dá o nome ao post - power Point Is Evil -, chama a atenção para a banalização e simplificação do ensino, facto que considera ser consumado através da utilização desta ferramenta. Mas será que a culpa não será antes do criador dos respectivos slides que substituí o seu discurso por uma apresentação multimédia, em vez de a utilizar como complemento ao seu trabalho?

A propósito desta questão também o falecido cronista do jornal Público - Eduardo Prado Coelho (1944-2007) - se insurge contra a má utilização das ferramentas multimédia. De acordo com o mesmo,uma apresentação parca de ideias nunca poderá ser camuflada por aquilo que chama de "euforia digital". Nada mais verdadeiro!

Quantas vezes não damos por nós diante de um péssimo orador, que se limita a ler os tópicos que escreveu à pressa em cada slide? Será que a culpa disto é mesmo do "terrível" power point? Não seria mais racional responsabilizar, antes, esse orador que talvez não esteja a fazer a utilização mais adequada desta ferramenta de trabalho?


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